Atualizado 01/12/2017

Distribuição do PEP, 'pílula do dia seguinte do HIV', aumenta 560% em 3 anos no SUS em SP

Coquetel com três remédios deve ser tomado até 72 horas após suspeita de contato com o vírus da Aids. Foram 2.006 tratamentos em 2013, contra 13.291 em 2016.

A PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV), tratamento combinado de três remédios também conhecido como “pílula do dia seguinte do HIV”, teve a distribuição aumentada em 562,5% no SUS no estado de São Paulo nos últimos três anos, segundo informou reportagem da GloboNews. Foram 2.006 tratamentos em 2013, contra 13.291 em 2016.

Oferecido pelo SUS, o tratamento deve começar no máximo 72 horas após a suspeita de contato com o vírus da Aids, como em casos de violência sexual, sexo desprotegido e também para profissionais de saúde que se cortaram com agulhas, bisturis e alicates.

Só no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, um dos principais centros de referência para o tratamento de doenças infectocontagiosas em São Paulo, foram mais de 3.300 pessoas fazendo o tratamento entre janeiro e outubro de 2017. A demanda já é 12,4% maior em relação a todo o ano passado.

Em todos os estados do Brasil, o volume de medicamentos distribuídos quadriplicou em cinco anos. Em 2011, quando o coquetel passou a integrar o SUS de forma mais ampla, foram 14.297 atendimentos. No ano passado, o Ministério da Saúde registrou 57.714 casos. Neste ano, de janeiro a junho, foram 32,559 pessoas que recorreram ao coquetel emergencial.

 

Homens são maioria dos pacientes

 

De acordo com o médico infectologista Francisco Ivanildo, supervisor do ambulatório do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, cerca de 70% dos pacientes que procuram o tratamento são homens.”Na sua maioria homens que fazem sexo com homens. Mas a gente também tem um número significativo de profissionais do sexo, de ambos os sexos, tanto homens quanto mulheres e transexuais também. E um número menor de mulheres”

 

“O atendimento tem um aumento, um incremento bastante significativo, aos finais de semana”, diz o infectologista do Emílio Ribas..

 

Um arquiteto que não quis se identificar contou à GloboNews que procurou um posto de saúde para tomar o coquetel depois de um encontro casual que teve. “Você fica com bastante medo, porque não sabe o que vai acontecer. Acho que é um medo que muita gente tem. É um problema, uma doença que pode, que gera um medo nas pessoas”, disse.

 

Tratamento preventivo antes da exposição ao vírus

 

Uma segunda medicação preventiva tem sido testada no Brasil desde 2013 por cinco projetos, incluindo pesquisas feitas pela Fiocruz e pela USP. A chamada PREP [Profilaxia Pré-Exposição] é uma pílula antiviral que deve ser tomada todos os dias, sem interrupção, antes de um possível contato com o HIV.

Há quatro meses, o estudante Yuri Buzo Henrique decidiu não esperar a distribuição da PREP pelo SUS e começou a bancar o próprio tratamento. Cada frasco com 30 comprimidos custa R$ 280 reais. Mesmo tomando o remédio, ele diz saber que a pílula sozinha não deve ser vista como único método de proteção contra a Aids.

“Eu gosto de comparar a um anticoncepcional: é uma coisa que você toma a iniciativa, que você toma todos os dias, pelo período que você desejar. Tenho 20 anos, sou homossexual e tenho uma vida sexual ativa. E isso já foi suficiente para mim para poder tomar a decisão de, de fato, começar o tratamento”, diz o estudante.

Fonte: G1
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