Atualizado 20/04/2018

Três frigoríficos de SC proibidos de exportar frango para União Europeia são do Oeste

Bloco econômico anunciou nesta quinta-feira a proibição de 20 frigoríficos brasileiros de exportarem frango para os países da região

Dos 20 frigoríficos brasileiros proibidos de exportar frango para a União Europeia (UE), três são de Santa Catarina — todos do Oeste do estado. As três unidades são da BRF, com plantas nos municípios de Chapecó, Capinzal e Concórdia.

Em nota, a BRF disse que acredita que a decisão da Comissão Europeia foi "pautada em motivações políticas e de proteção de seu mercado local", e não em questões sanitárias. "Tal decisão não foi precedida por uma investigação dos fatos por parte das autoridades europeias, e a BRF não teve a chance de ser ouvida", diz o comunicado enviado à imprensa.

As três unidades já tinham parado a exportação para a UE por causa de uma interrupção feita pelo Ministério da Agricultura em março. O prejuízo de Santa Catarina com o embargo chega a US$ 9 milhões, conforme o governo estadual. A Secretaria de Estado da Agricultura estima que Santa Catarina tenha deixado de exportar ao menos três mil toneladas neste período.

Planta da BRF em Chapecó (Foto: Nelson Almeida/AFP)

Os consumidores, no entanto, ainda não sentiram mudanças nos preços dos produtos. No último mês, o valor da carne de frango não teve reajustes expressivos. Ainda há promoções, por exemplo, de coxa e sobrecoxa por menos de R$ 3,70 o quilo. O valor é igual ao aplicado antes do embargo.

O governo do estado informou que trabalha na prevenção da salmonela na avicultura para o fim das restrições. Enquanto isso, representantes dos produtores de aves do Oeste catarinense têm feito reuniões para tratar da possibilidade de as agroindústrias reduzirem a produção.

Férias coletivas

No frigorífico de Capinzal, a BRF a anunciou no final de março férias coletivas para os trabalhadores a partir do dia 7 de maio. A medida valerá por 30 dias e afeta mais de três mil funcionários da linha de abate de aves. Os outros setores da BRF de Capinzal, assim como as unidades de Chapecó e Concórdia, deverão continuar funcionando normalmente.

Controle de qualidade

A decisão aprovada por um comitê da Comissão Europeia, em Bruxelas, na Bélgica, é final e começa a valer 15 dias depois da publicação. O motivo do embargo, segundo o comitê, é a deficiência no sistema de controle de qualidade de carne destes frigoríficos.

A pressão europeia sobre o setor vem desde março de 2017, quando a Polícia Federal deflagrou a operação Carne Fraca e aumentou em março de 2018, quando foi descoberto um suposto esquema entre laboratórios e frigoríficos para fraudar laudos de testes de qualidade.

Outro lado

A BRF também informou que não havia sido oficialmente informada sobre a decisão da UE até a noite desta sexta e, por isso, não tem como afirmar quais unidades foram atingidas pelo embargo. Em nota, a empresa diz que "vai procurar seus direitos perante os órgãos responsáveis europeus e suportar integralmente as ações do governo brasileiro na Organização Mundial do Comércio (OMC) para garantir todos os direitos de continuar servindo seus clientes na Europa".

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