Atualizado 09/11/2018

Uma força gigante

Em celebração ao movimento Novembro Roxo – mês da prematuridade, a Unimed Chapecó reuniu mães que tiveram bebês prematuros no hospital da Cooperativa Médica para trocarem experiências e contarem seus exemplos de superação

A espera de um bebê envolve muita expectativa quanto às mudanças que o novo integrante da família trará a partir da sua chegada. Aliado a isso, há os preparativos e o planejamento para a vinda do recém-nascido. Fazer o enxoval, preparar o quartinho, escolher o nome... Mas e quando há um imprevisto ao longo dessa espera? Como o fato de o bebê nascer antes do prazo.

 

Em celebração ao movimento Novembro Roxo – mês da prematuridade, a Unimed Chapecó reuniu mães que tiveram bebês prematuros no hospital da Cooperativa Médica para trocarem experiências e contarem seus exemplos de superação. No evento, realizado em um restaurante da cidade, não faltou emoção e muita história para contar.

 

A médica pediatra e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital Unimed Chapecó, Dra. Vera Lucia Mainardi, explicou que a principal causa da prematuridade são as intercorrências durante a gestação. "Por isso, a importância de um pré-natal bem feito, com controle da pressão arterial, cuidados com a alimentação e realização dos exames", salienta a médica. Quanto aos cuidados exigidos por uma criança prematura, Dra. Vera ressalta que, nesses casos, a criança perde um tempo de vida de desenvolvimento, pois, o nascimento é uma sequência da vida intra útero.

 

 "A criança fica em torno de 40 semanas na barriga crescendo e desenvolvendo. Por isso, uma criança prematura precisa de uma maior estimulação após nascimento, além de cuidar a exposição aos vírus e infecções, evitando receber visitas e sair muito com essa criança", destaca. A especialista complementa ao afirmar que alguns bebês prematuros precisam de tratamentos de fisioterapia e fonoaudiologia e que os cuidados devem ser mantidos, pelo menos, até os três anos de idade, período em que a criança corrige o perímetro cefálico, peso e crescimento.

 

Experiências

 

Com 24 semanas de gestação, Sandra Debiasi, que hoje é coach de mães, entrou em trabalho de parto de uma gravidez de gêmeos. Sandra já imaginava que Joaquim e Caetano poderiam nascer a qualquer momento, já que sua obstetra havia alertado que uma gravidez gemelar de uma placenta só costuma ser de risco. "O meu pânico maior, foi quando a minha médica falou que eu teria um de parto normal e outro de cesariana e que eu tinha que segurar eles na barriga o máximo que eu pudesse. Foi quando eu pensei que a única coisa que eu podia controlar era a minha mente", ressalta.

 

Infelizmente, após o nascimento, Joaquim viveu apenas três horas. Caetano, por ter nascido muito pequeno, permaneceu por 70 dias na UTI Neonatal. Mas, foi a partir da perda e por ver o filho tão pequeno, que Sandra não se deixou abater. Ela conta que tentava se manter forte para garantir o bem-estar de Caetano e que a força que ela tinha, o bebê também teve para superar o momento. "Todos os dias, era menos um dia de UTI. Depois que eu perdi o Joaquim, eu esqueci a minha vida e foquei todas as minhas forças no Caetano. A minha vida era ele, eu tinha que fazer dar certo. Hoje, cada conquista e cada vitória dele a gente comemora. Nós vencemos juntos!", celebra.

 

Para a estudante Patrícia Goellner, mãe da pequena Alice, de 2 anos e 6 meses, a notícia de que a filha nasceria de forma prematura chegou repentinamente. "Descobri que a Alice iria nascer prematura pela manhã quando fui fazer uns exames e à tarde ela nasceu", conta. Patrícia estava grávida de 29 semanas e apresentou quadro de pré-eclâmpsia (pressão arterial alta), que levou à antecipação do nascimento do bebê. Alice permaneceu por 40 dias na UTI Neonatal recebendo cuidados especiais diários. "Foi um desafio imenso. Eu cheguei a desanimar algumas vezes, mas tirava forças a partir de cada melhora dela", lembra.

 

A advogada Katiane Fernandes Vieira, mãe do Anthony de 9 meses, teve uma experiência semelhante e deu à luz com 35 semanas. Mas, as intercorrências que levaram ao nascimento prematuro iniciaram na 26ª semana, quando o bebê começou a apresentar restrição no crescimento. Além disso, Anthony não atingia o peso ideal e houve a suspeita de que Katiane pudesse apresentar um quadro de trombofilia. Foi então, que ela iniciou o tratamento com anticoagulantes até o nascimento do bebê, que veio ao mundo com 2kg.

 

"Ele precisou ir para a UTI, pois apresentou problemas respiratórios. Nesse período, ele perdeu peso, chegando a 1.610kg, e eu pensava em como conseguir cuidar de uma criança tão pequena. Eu permanecia no hospital das oito da manhã às oito da noite para visitá-lo nos três turnos", conta Katiane ao destacar que, atualmente, a experiência pela qual passou é compensada pelo fato de poder ver o filho crescer saudável e bem.

 

Ao contrário da maioria dos casos de prematuridade, os quais a mãe não espera o nascimento precoce do bebê, com 30 semanas de gestação, Aline Goellner já estava preparada para o nascimento do pequeno Gustavo, 4 meses. Foi quando houve a saída do chamado tampão mucoso, que é um dos sinais de que o colo do útero está começando a se preparar para o parto. Antes de Gustavo, Aline teve duas outras gestações que acabaram não evoluindo. Somado a isso, as dificuldades enfrentadas durante a terceira gravidez deram ainda mais força para que ela superasse o nascimento prematuro do filho. "Hoje, ter ele comigo é uma vitória! É preciso muita força para encarar esse momento. A minha maior alegria é ver ele crescendo e poder estar com ele no colo", conta emocionada.

 

A médica veterinária, Greice Pereira Cortes da Silva, estava viajando quando percebeu que estava perdendo líquido. Grávida de Afonso, hoje com seis meses, precisou ser internada. "Eu teria de ficar 40 dias internada. Mas, destes, fiquei apenas um. No dia seguinte, o Afonso nasceu com 31 semanas", lembra. Passada a cesárea de emergência, o bebê permaneceu 14 dias na UTI Neonatal para ganhar peso. Greice comenta sobre as dificuldades da fase em que ele permaneceu internado, mas agradece o suporte que recebeu da família e de toda a equipe do hospital. "Eu sempre comentava com as minhas amigas que uma mãe que vai para casa sem o nenê e sem a barriga fica um vazio. Foi um susto, mas, agora não lembro mais dele tão pequenininho e é gratificante vê-lo crescendo", finaliza Greice.

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